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Acordes do Rádio

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Tuesday, 7 de December de 2010 às 0:20

Entrevista: Ná Ozzetti

Ná Ozzetti

Você tem muita intimidade com as músicas da Era do Rádio. E nesta série de shows dedicados ao violão e ao rádio ao mesmo tempo, você está fazendo uma pequena variação do que já fazia. O que está achando de participar deste projeto?

R – Eu estou achando maravilhoso, por estar dentro deste contexto, que é maior. Eu sou apenas uma parte desse todo. Eu estou muito feliz. A minha intenção é me encaixar dentro do espírito desse trabalho, dessa série.

Parte deste show traz músicas do Balangandãs, disco que tem guitarras, violão, bateria… E aqui ficou um clima meio “Balangandãs de bolso”. O que você achou disso? Muda algo no canto?

R – Muda bastante! Eu acho que sempre que você muda a formação – a quantidade e o tipo de instrumentos – a interpretação tende a mudar. Música é um conjunto. É um time, como o futebol. Um conjunto que está ali para algo que é aquela música que está acontecendo naquele momento. E aí é muito dinâmico, por que aí vão se desenvolvendo as linguagens. Nessa questão dos violões no Brasil, como se desenvolveu a linguagem dos violões na música brasileira. Então, eu acho que, de certa forma, o violão é o maior parceiro da voz, do canto, na música popular brasileira.

Você teve um projeto chamado Rumo aos Antigos, feito há algum tempo. A impressão que dá, ouvindo o show hoje, é que você está sempre revitalizando ele, de alguma maneira, por que nos seus discos posteriores você sempre canta ou pega um pouco do cancioneiro antigo. Você faz isso por que de fato gostou muito do Rumo aos Antigos ou por que é um cancioneiro quase inesgotável?

R – Certamente, é por que é inesgotável mesmo. A Era do Rádio representou um período de muita exuberância criativa no Brasil. Acredito que essa música que foi produzida naquele período é uma matriz que está alimentando a música atual e futura, por muito mais tempo. É a nossa referência, a fonte onde a gente bebe. E eu sinto um prazer em interpretar essas músicas como se elas tivessem sido compostas hoje. Eu acho que elas são super atuais.

Fazia tempo que você não cantava Quantos Beijos?

R – Fazia! Nos shows do Rumo, no início da década de 80, nós cantávamos bastante em shows. Depois, nunca mais. Aí em 2004, o Rumo relançou seus discos, os LPs em CDs, e nós fizemos uma série de shows em São Paulo, onde retomamos o repertório, entre elas Quantos Beijos.  Depois não cantei mais, só aqui agora.

Você já conhecia a música Meu Noivado? Ela parece que já faz parte do seu repertório há tempos…

R – Não! Não conhecia nem Meu Noivado nem Aperto de Mão. Foi empatia. No caso do Aperto de Mão, é uma música que já tem essa linguagem muito familiar. Eu aprendi rapidamente. Meu Noivado é uma música mais difícil, por que ela tem muita letra e é um pouco mais difícil de articular, inclusive. Deu um pouquinho mais de trabalho. Mas foi uma empatia à primeira vista. Eu adorei as duas gravações, achei maravilhosas.

A ideia é amadurecer o projeto. Eu achei fantástico o resultado do que já foi feito e fico na expectativa do que vai ser feito em março. Eu imagino que você vá, também, depurando a música…

R – Sim, é muito diferente você cantar lendo, que você ainda tem que lembrar o que está se dizendo naquela estrofe, toda essa parte do humor que tem na letra. Se você não estiver com ela totalmente assimilada, é difícil aflorar. Eu ainda estou muito presa, de certa forma.

Sobre tua relação com o canto: você é daquelas cantoras obsessivas que cantam sem parar ou você separa bem o seu ofício de cantar do seu dia a dia?

R – Eu já fui muito mais fominha, nesse sentido, do que eu sou hoje. No início da minha carreira, eu me dedicava muito mais ao canto do que hoje. Mas por questões de fases da vida mesmo. Hoje eu tenho muitas coisas para cuidar, também. Mas eu acho que a música está 24 horas por dia presente. Minha relação com a vida é uma relação musical. Então, eu não preciso estar cantando o tempo todo para me sentir um músico.

O lado compositora: Canto em Qualquer Canto, que foi gravada por várias pessoas, está no show. Quantas músicas você compôs?

R – Eu não tenho muitas, por que eu acho que eu sou mais cantora do que compositora. Mas, geralmente, eu componho pensando em um projeto, quando eu vou pensar em um disco novo. Aí eu já penso na ideia musical que eu quero e começo a compor. E as músicas vêm com uma certa facilidade. Mas eu não sou um compositor como os compositores em geral, que ficam fazendo músicas… Eu componho mesmo por encomenda, para mim mesma. Canto em Qualquer Canto, Itamar Assumpção me deu a letra, eu achei tão maravilhosa, e eu fiz umas três músicas até chegar nessa última versão, que aí me veio uma ideia assim de forma rápida.

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Mais sobre o projeto

Em breve realizaremos a 3ª edição do Festival de Violão Acordes do Rádio. Confira aqui as primeiras edições, no Rio de Janeiro (2010) e em Brasília (2011), sob direção musical de Alessandro Soares

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Artistas do festival

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Galeria de vídeos

Marco Pereira recria temas de Tom Jobim no II Festival Acordes do Rádio

Marco Pereira interpreta a Suíte Tom Jobim, formada pelas melodias de Eu Sei Que Vou Te Amar, Modinha e Luíza, em apresentação realizada em março de 2011, durante o II Festival de Violão Acordes do Rádio: 90 Anos do Violão Brasileiro, do produtor Alessandro Soares. Este vídeo integra uma série de três programas exibidos pela TV Senado em maio de 2011 e foi gravado no Teatro do CCBB em Brasília. Os espetáculos do Acordes do Rádio mostram um painel do violão brasileiro tendo o Rádio como fio condutor. A abrangência vai desde os anos 1920, quando surgiram as primeiras transmissões de rádio no país, até os dias atuais. A temporada de shows em Brasília teve como elenco as cantoras Mônica Salmaso, Vânia Bastos e Ná Ozzetti e os violonistas Marco Pereira, Guinga, Paulo Bellinati, Weber Lopes, Eustáquio Grilo e Henrique Annes. O projeto também resgata músicas raras e fotografias inéditas de muitos violonistas da primeira metade do século XX, sobretudo autores nordestinos que atualmente são pouco lembrados pelo público. Acordes do Rádio é fruto de uma parceria entre a Candeeiro Records e a Produções do Tempo.

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Quarteto Maogani ao vivo no show Acordes do Rádio – Lôro (Egberto Gismonti)

 

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